Arthur Lira é acusado de usar cheque sem fundo para comprar apartamento, diz revista

Por Bahia.ba | 18 de dezembro de 2020 às 9:00

Foto: Agência Câmara

Favorito à presidência da Câmara dos Deputados, líder do PP e do centrão, o deputado federal Arthur Lira enfrenta alguns importantes processos na Justiça, revela reportagem da revista Veja. Segundo a publicação, na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), ele é réu numa ação penal que o aponta como beneficiário de R$ 106 mil em propina de um esquema de corrupção na Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU).

Segundo o Ministério Público, o valor foi entregue em espécie a um de seus assessores no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Na Segunda Turma do STF, Lira responde a processo como um dos integrantes do chamado “quadrilhão do PP”, organização criminosa que teria desviado recursos da Petrobras e garantido ao parlamentar 2,6 milhões de reais em dinheiro sujo.

Ainda de acordo com a Veja, na mais alta instância do Judiciário, ainda tramita uma queixa-crime apresentada por sua ex-mulher, que foi chamada por Lira de “vigarista profissional” depois de dizer, em entrevista a VEJA, que ele ocultou um patrimônio de 40 milhões de reais obtido com esquemas de corrupção. Ressalte-se: são acusações, o que não significa que o deputado seja culpado.

Entre os supostos malfeitos imputados a Lira, a reportagem lista um caso imbróglio ocorrido em 1993, quando Lira comprou um apartamento de um empresário chamado Volney Lucena Pedulla, na Ponta Verde, badalado bairro à beira-mar de Maceió.

Cheque sem fundo

O imóvel, avaliado em R$ 700 mil à época, foi adquirido de forma parcelada. Segundo a revista, o parlamentar deu uma entrada e assinou quatro notas promissórias. As duas primeiras foram pagas normalmente. As duas restantes, que representavam cerca de 40% do valor do apartamento, foram quitadas com um cheque.

O problema, segundo o vendedor relatou à Veja, começou quando ele tentou compensar o cheque. Em diversas tentativas, Pedulla foi informado pelo banco sobre a “insuficiência de fundos” nas contas do hoje deputado federal. Depois, também tentou receber o dinheiro amigavelmente, sem sucesso. Restou, então, o recurso à Justiça. “Eu vivi uma situação financeira muito difícil na época em que ele não me pagou, pois estava me separando da minha esposa e tive de pagar pensão alimentícia”, contou o comerciante a VEJA. “Tentei por diversas vezes fazer um acordo, mas acordo é tudo o que ele não faz. A intenção dele nunca foi de me pagar.”

Depois de quase de trinta anos de litígio, já prevendo que o problema poderia respingar na sua intenção de ser presidente da Câmara, destaca a Veja, o deputado tentou uma conciliação. Lira apresentou uma proposta, pela qual prometia pagar cerca de 20% do que determinou o juiz.

A defesa de Pedulla, o credor, não aceitou, e o caso continuou em aberto. Quanto ao imóvel, ele sequer pode ser usado para quitar a dívida, já que foi revendido pelo deputado para pagar dívidas de campanha. “Mais uma coisa: esse apartamento vale 400 000 reais. Não isso que eles estão dizendo”, argumenta Lira.

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