Coluna do Magno Francisco: Um museu de grandes novidades

Por | 7 de novembro de 2014 às 8:09

DSC_4492O Brasil tem uma democracia muito recente. Durante vinte e um anos (1964-1985) o nosso povo viveu sob a tutela da Ditadura Militar. Um regime tirano e nefasto que  foi planejado e posto em prática pelo governo dos Estados Unidos, setores da burguesia nacional e o Exército Brasileiro.

 

Com o golpe militar, esta tríade, tinha como objetivo derrubar o governo democratimente eleito de João Goular, que pretendia implementar as chamadas Reformas de Base, para acabar com déficit habitacional, o latifundio, democratizar o acesso ao ensino superior e conquistar a soberania nacional no terreno da econômia.

 

Entretanto, as reformas de base mexiam com os interesses das elites do país, destes que não gostam de povo, que são adeptos da sociedades de castas, onde eles, a minoria, tem que ser eternamente ricos, e o povo infinitamente pobre, submisso e humilhado.

 

Um verdadeiro terror ideológico foi disseminado na sociedade brasileira. Como ensina Gobbels, ministro da propaganda no governo de Hitler, “uma mentira dita cem vezes torna-se verdade”. Eles aprenderam bem. Assim, o governo Jango foi acusado mentirosamente de pretender  instaurar uma ditadura e querer acabar com a família e com os valores cristãos e outros devaneios.

 

O golpe militar acontece no dia 1 de abril de 1964 e com ele o terror. Todas as liberdades democraticas acabaram. O direito de protestar foi proibido, assim como a liberdade de imprensa, o direito de organização sindical e estudantil. Os partidos e o Congresso Nacional foram fechados e os militares ocuparam as ruas para impor o medo e a perseguição.

 

Milhares de pessoas que não aceitaram a Ditadura e lutaram pela restituição das liberdades democraticas, foram presas, submetidas a torturas e a estupros, assassinadas covardemente. Centenas de mães e pais sequer tiveram o direito de enterrar os corpos dos seus filhos. Passados cinquenta anos do Golpe Militar, os torturadores, assassinos e agentes deste período nefasto ainda não foram para a cadeia, sequer para  o banco dos réus.

 

Esse passado recente da nossa pátria precisa ser lembrado, pois dialoga com a atual conjuntura política do país. Pois não bastou para as elites conservadoras destilarem ódio contra nordestinos, negros e gays durante toda a campanha eleitoral deste ano. Agora, com a vitória de Dilma, eles estão pedindo a volta da Ditadura Militar.

 

É o que aconteceu em São Paulo no dia 01 de novembro, quando cerca de duas mil pessoas se reuniram na Avenida Paulista para pedir o impeachment de Dilma e a intervenção militar para derrubar o governo.

 

Mas o circo dos horrores não parou por ai. O Deputado nazista Jair Bolsonaro, foi a esta manifestação armado e seu filho durante discurso afirmou que seu pai teria “fuzilado” Dilma se fosse candidato a presidente.

 

O empresário paranaense Paulo Martins, após saudar a manifestação com um “boa tarde reaças” afirmou que o PT constrói uma Ditadura no Brasil. Lobão, o mesmo que prometeu que mudaria de país se o PT vencesse a eleição e não cumpriu a promessa, defendeu recontagem dos votos, mesmo sem qualquer indício de fraude na eleição.

 

Estes fatos devem ser encarados com preocupação e seriedade. Assim como no Pré-Golpe, mentem descaradamente, acusando o governo de cubanização, sovietização, venezuelização, de pretender impor uma ditadura. Tentam ganhar os setores populares se apoiando nos preconceitos morais mais atrasados.

 

O governo petista é bem diferente do governo do presidente João Goulart. Apresenta um programa moderado e não está propondo sequer uma grande alguma reforma estrutural. Porém, as elites não aceitam a democracia quando eles não estão no poder. Engoliram seco o fato do Brasil ser governado por um operário e depois por uma ex-guerrilheira que combateu a Ditadura Militar.

 

Esta luta não vai acabar agora, ainda estamos nos primeiros capítulos. É urgente que os trabalhadores, os sindicatos, os movimentos sociais e todos os partidos de esquerda se unam para derrotar o avanço das forças conservadoras. É necessário convocar manifestações de repúdio a proposta reacionária de golpe militar. É fundamental a construção de uma frente antifascista no país.

 

 

 

 

 

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