Denúncias contra o Lacen são tema de debate na Assembleia Legislativa de Alagoas

Por Assessoria - Asssembleia | 1 de maio de 2020 às 18:00

Crédito: Divulgação

Diante das diversas denúncias contra o Laboratório Central de Alagoas (Lacen) – responsável por realizar os testes para a Covid-19 no Estado -, trazidas ao plenário pelo deputado Davi Maia (DEM) e que estão sendo investigadas pelas Comissões Temáticas da Assembleia Legislativa, o líder do Governo na Casa, deputado Silvio Camelo (PV), fez pronunciamento nesta quinta-feira, 30, no intuito de esclarecer os fatos. De acordo com ele, a insuficiência na realização dos testes de RT-PCR para o diagnóstico do novo coronavírus é um problema de ordem mundial e nacional, e que para sua realização são necessários critérios de prioridade, baseados na gravidade do paciente. E classificou as denúncias como fakes.

Camelo esclareceu ainda que não há qualquer amostra de exame para a Covid-19 em atraso há mais de 30 dias, e que os testes estão sendo liberados em até 48 horas; para os casos considerados não graves, em até quatro dias. Além disso, salientou que é normal a cooperação mútua entre os Lacens no Brasil. Afirmou também que para ampliar o número de testagem no Estado, o Governo contratou mais de dois mil testes de RT-PCR e 20.000 testes rápidos de imunocromatografia. “Estes últimos, capazes de detectar anticorpos IgM (fase aguda da doença) e IgG (fase crônica da doença)”, explicou o líder governista, complementando que os testes realizados no Lacen/AL seguem um padrão criterioso e protocolos rígidos, conforme o fabricante preconiza. O parlamentar ainda disse que a capacidade produtiva do Lacen-AL saltou de 20 testes/dia para aproximadamente 200, em pouco mais de um mês.

Ao prosseguir rebatendo as denúncias contra a confiabilidade do Lacen, Silvio Camelo assegurou à população e aos pares que Alagoas apresenta uma taxa de mortalidade de 4,3%, abaixo da observada no Brasil, que é de 7,0%, e no Nordeste, de 6,3%. Sobre o email no qual uma funcionária do laboratório relata a falta de kits, Camelo observa que a mensagem é do último dia 31 de março e refere-se à previsão de chegada de novos kits para o Laboratório Central de Alagoas. Sobre o equipamento conhecido como termociclador, o líder governista esclareceu que é utilizado para realizar a amplificação do material genético do vírus, possibilitando o diagnóstico da Covid-19, e não para a conservação das amostras, sendo que o mesmo está parado para manutenção aguardando a peça de reposição.

“Vale ressaltar também que o Lacen-AL dispõe de três destes equipamentos atualmente liberados para os exames. Embora um esteja parado para manutenção corretiva, o Lacen mantém a regularidade do trabalho utilizando os dois equipamentos disponíveis”, assegurou, informando que todos os kits para o diagnóstico da doença foram fornecidos pela Biomanguinhos/CGLAB/Ministério da Saúde. “Portanto, não há que se falar em pagamento de amostras analisadas”, afirmou. “Por fim, em nome dos técnicos do Lacen-AL, peço que informações inverídicas como estas não sejam levadas em consideração. Tais afirmações fazem desacreditar um laboratório de excelência, que sempre supriu as necessidades do Estado”, finalizou Camelo.

Em seguida, o deputado Davi Maia disse compreender o papel de liderança do colega de plenário, mas não concorda que o governista esteja tentando desconstruir ou denegrir o denunciante. “Esses fatos chegaram a mim e tive que averiguar cada um por vários dias. O email é do dia 31, sim, e é muito claro. Mostrei, no dia da denúncia, exames com 15, 20 e até 30 dias (de atraso), inclusive, dentro desses exames, consta uma criança de um ano, que testou positivo, e uma enfermeira, que está na linha de frente e aguardou por 20 dias o resultado”, disse. “O que não se pode é dizer que eu menti ou estou criando fake news. Isso é uma acusação muito séria”, rebateu Maia, cobrando respostas às denúncias de nepotismo dentro do Lacen.

Outro que se posicionou sobre a fala de Silvio Camelo foi o deputado Cabo Bebeto (PSL). Este falou que também vem recebendo denúncias contra o Lacen/AL. “São denúncias bem detalhadas, com documentos de geladeiras lotadas, que não atendem a necessidade, exames que foram perdidos e pessoas inabilitadas fazendo alguns procedimentos”, contou Bebeto, informando que hoje a Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Casa irá se reunir virtualmente para ouvir os relatos de duas ex-funcionárias do Lacen e dirimir as dúvidas.

A deputada Jó Pereira (MDB), na condição de presidente da Comissão da Mulher, estará auxiliando e acompanhando, juntamente com a CDH e a Comissão de Saúde, a apuração dos fatos denunciados contra o Lacen. “É uma denúncia importante. Os testes, como podemos observar na fala do Ministério da Saúde, Organização Mundial da Saúde e especialistas da Fiocruz, são a maneira mais eficiente de detectar o vírus e combatermos a Covid-19. Não podemos deixar que esses testes, que já são poucos, sejam usados de maneira ineficiente”, declarou a parlamentar.

Por outro lado, o deputado Francisco tenório (PMN) pediu ponderação aos colegas Davi Maia e Cabo Bebeto, especialmente diante das dificuldades reais que se apresentam no combate ao coronavírus. “Vamos reivindicar as melhorias necessárias, tentar ajudar ao Governo e à população alagoana com sugestões inovadoras, com a nossa fiscalização, para evitar desperdícios”, disse. “Mas vamos evitar esse denuncismo desnecessário, que em nada ajuda nesse momento de dificuldade que vive o Estado”, observou Tenório, pedindo a união de todos em defesa do Estado para superar as dificuldades.

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