Blog do Emerson Emídio: discursos de Bolsonaro refletem na economia, ciência e relações exteriores

Por Emerson Emídio - Jornalista - MTE 2033/SE | 30 de abril de 2020 às 6:00

Jornalista Emerson Emídio (Divulgação)

Possivelmente, você já ouviu o ditado que diz “quem fala demais…”. O turbilhão de assuntos e à crise em que vive o governo do presidente Jair Bolsonaro, tem surtido um efeito devastador na economia, ciência e relações exteriores.

Sempre mal educado com à imprensa, o presidente vem cometendo uma série de erros que não caem bem a um chefe do Executivo. A última declaração se deu na noite da última terça-feira (28), quando questionado por um repórter sobre o número de mortes pelo COVID-19, ele afirmou ser “Messias”, mas que não operava milagres. Bolsonaro até tentou concertar, mas já era tarde.

A declaração fez com que líderes religiosos se manifestassem nas redes sociais contra o discurso do presidente. Para muitos, a analogia com Jesus Cristo foi inapropriada.

Desde a exoneração de Luiz Henrique Mandetta, do Ministério da Saúde, que era a favor do distanciamento social como saída para a diminuição dos casos da pandemia, o governo de Bolsonaro entrou numa forte crise e o que se vê nos pronunciamentos, são declarações contraditórias, ora de pacificação, ora de ataque.

Com a saída de Sergio Moro da pasta da Justiça e Segurança Pública, o segundo ministro a dar adeus ao governo em menos de 15 dias, Bolsonaro viu a bolsa de valores despencar, o dólar subir e, forçadamente, o preço do petróleo sofrer uma das maiores quedas. Alguns até acham que isso é bom, mas se resume no reflexo de uma economia que dá sinais de forte declínio.

Quando o assunto é a “guerra” contra estados e municípios, o presidente ataca os gestores e os culpa pelas mortes. Segundo ele, essa fatia não é apenas dele. Os valorosos investimentos à iniciação científica que foram cortados no contingenciamento, hoje em dia, fazem falta nas universidades que, se viram como podem para ajudar na prevenção e soluções para o novo coronavírus.

Nesta semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quem Bolsonaro diz ter muita estima e se espelhar, cancelou os voos do Brasil com destino ao país. De acordo com ele, o governo brasileiro não tomou as medidas essenciais para combater à pandemia, o que está nos levando a um verdadeiro colapso.

Partiu da Organização Mundial de Saúde (OMS) uma determinação para que o Brasil tivesse medidas mais cautelares para frear o aumento de casos do COVID-19.

Em resposta, Jair Bolsonaro disse que à OMS incentiva masturbação e homossexualidade em crianças. Minutos após, o post foi apagado do perfil do presidente no facebook.

Na Câmara, Senado e Supremo Tribunal Federal (STF), pelos discursos dos presidentes, é evidente um descompasso entre os poderes que, pela Constituição, deveriam governar em harmonia.

Longe das câmeras e dos holofotes, o presidente carrega uma impressão de fadado, com medidas que não surtem efeito, a exemplo do relaxamento da quarentena e o estouro de casos do vírus, bem como a relação com a classe política, que não anda nada boa e com vários pedidos de impeachment.

Aqui, na ala social, recentes pesquisas apontam um descontentamento da população no governo de Jair Bolsonaro. Apoiadores até tentaram fazer carreatas em apoio, deputados da base amargam o difícil relacionamento com as variadas bancadas na Câmara dos Deputados, tendo em vista o emaranhado de fatos que levaram o mandato de uma aceitação histórica à beira de um inferno que pode apenas estar começando.

Ao Jair Messias Bolsonaro, cabe, antes de tudo, mudar o discurso, repensar as prioridades e, de uma vez por todas, entender que voltar atrás em decisões que beneficiam o país, mostra que verdadeiramente, o Brasil está acima de tudo e Deus, que tudo sabe e vê, está acima de todos!

Será que dá tempo?

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