Funcionários do MEC afirmam que resultado do Enem não é confiável

Por Bahia.ba | 29 de janeiro de 2020 às 14:00

Foto: Divulgação/ Inep

Funcionários do Ministério da Educação (MEC) disseram à Folha, sob condição de anonimato, que não são confiáveis as notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) após a nova correção feita pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais. Isso porque não foi feito o novo cálculo dos parâmetros dos itens usados nas provas do exame.

Conforme os funcionários disseram à Folha, o procedimento daria mais segurança ao processo de nova conferência, mas demandaria mais tempo. O governo de Jair Bolsonaro preferiu abrir mão dessa etapa para dar uma resposta rápida à falha nas correções e manter o cronograma do Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

Se feito, o recálculo dos parâmetros poderia reduzir o erro padrão do exame e indicar variações nas notas. Pequenas, mas suficientes para alterar a lista de aprovados em cursos concorridos. O entendimento é que o Inep só fará o recálcuo se a Justiça assim determinar. O Inep não se manifestou sobre o assunto.
Entenda os cálculos da prova
De acordo com a Folha, o Enem adota o modelo Teoria da Resposta ao Item, no qual os itens da prova passam por pré-testes com público similar ao que faz a prova. A partir daí são estabelecidos os parâmetros dos itens, como os níveis de dificuldade.

No Enem de 2019, nem todas as questões que caíram foram pré-testadas. Nesses casos, o Inep precisaria realizar a calibragem a partir do desempenho real na prova. A partir daí, o órgão seleciona uma amostra aleatória de participantes para regular os parâmetros desses itens.

A amostra usada no exame do ano passado foi de 100 mil participantes, e somente depois disso os parâmetros gerais foram estipulados e as notas dos alunos, calculadas. Além dos itens novos na prova, os resultados de parte dos 6 mil participantes com as notas erradas por troca de gabarito fizeram parte dessa amostra.

O Inep registrou 83 casos na prova de Ciências da Natureza e 105 na de Matemática. Isso implica que a calibração ocorrida na prova de itens não pré-testados teve respostas erradas e isso preocupa integrantes do Inep e do MEC. As notas do Enem dependem não só do número de questões certas, mas do nível de dificuldade daquelas que foram assinaladas corretamente.

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