Especial Economia: Mais de 16 mil delmirenses estão com nome negativado, aponta SPC

Por Emerson Emídio | 27 de novembro de 2019 às 6:00

Foto: Arquivo

O portal Radar Notícias traz a partir desta quarta-feira (27), uma série de reportagens que retrata o setor econômico das cidades do Alto Sertão de Alagoas. A proposta é mostrar como os municípios enfrentam a atual situação vivenciada no País.

Delmiro Gouveia foi escolhido como o primeiro município, não apenas por ser o mais populoso, mas também pela relevância econômica que exerce no Alto Sertão.

Considerada como a Terra do Pioneiro, o município que faz fronteira com à Bahia, possui uma área de 607,813 km² de extensão e uma população de 51.763 habitantes, de acordo com o censo de 2018, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Margeada pelo Rio São Francisco, mais conhecido como Velho Chico, o município é rico em belezas naturais, com cenários deslumbrantes.

Grande parte da economia da cidade girava em torno da Fábrica da Pedra, que foi fechada na data de 31/07/2017, fator que fez com que 583 pessoas fossem demitidas, deixando uma grande lacuna no capital de giro do município.

Gráfico com dados da população em contraste com os inadimplentes

De lá até os dias atuais, o município sente diretamente o impacto causado pelo fechamento deste importante empreendimento. A prova que a situação de Delmiro Gouveia não vai bem, são os dados do SPC, que apontam 16.329 pessoas da Terra do Pioneiro com o nome em restrição de crédito.

Os dados são uma estimativa, ou seja, oscilam de acordo com o passar dos meses. Porém, refletem a estagnação do capital de giro na Terra do Pioneiro. Com isso, a mão de obra local, a exemplo do comércio, feira etc, ficam cada vez mais desprovidos e, muitas das vezes, acabam tendo que fechar às portas.

E nesse emaranhado de situações adversas, o comércio informal, visto por muitos como a única solução, traz situações paliativas, mas que podem tornar-se emblemáticas no futuro. Por exemplo, nesse tipo de atividade, o vendedor geralmente busca um produto para ganhar lucro e manter o sustento da família.

Entretanto, muitas vezes, os produtos não dispõem de procedência adequada e dentro das normas da Agência de regulação. Tem também a questão das garantias trabalhistas, como INSS, PIS, que dentro do comércio informal, o cidadão não tem direito.

Com muitas pessoas sem acesso a crédito, ou seja, popularmente com o nome sujo na ‘praça’, mais a economia do município fica estagnada e o capital de giro não flui.

Por ser uma cidade polo, Delmiro Gouveia também sofre com a migração de pessoas de municípios próximos, a exemplo de Inhapi e Água branca que, na grande maioria, seguem para outros destinos em busca de serviços, gêneros alimentícios e até de lazer.

Transversalidade

Ao cruzar os dados do SPC, percebemos que os demais municípios, em proporção a quantidade de habitantes, apresentam menor quantidade de devedores.

Ao que se deve essa diferença? Por quais motivos acontecem? Como um município polo tem perdido tanto nas questões econômicas?

Esse fator é o objeto da nossa segunda reportagem da série “Caminhos da Economia no Alto Sertão”, que vai ser apresentada nesta quinta-feira. Até lá!

Cânion do Rio São Francisco – Foto: Andrews Moura

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