MP/AL denuncia médico santanense por crime de aborto, lesão corporal e cárcere privado

Por Assessoria | 18 de março de 2020 às 19:00

Foto: Divulgação

O Ministério Público de Alagoas (MP-AL), por meio da 9ª Promotoria de Justiça da Capital decidiu denunciar o médico psiquiatra santanense Dilson Karlo Aquino Onofre pela prática de aborto, com resultado de lesão corporal grave, cárcere privado e omissão de socorro contra uma namorada.

O promotor de Justiça, Rodrigo Soares, pediu medidas cautelares diversas da prisão, bem como o afastamento da atividade de médico, além do recolhimento do passaporte para que o mesmo seja impedido de se ausentar do país. O MP também pede medidas protetivas de urgência em favor da vítima.

Apesar do médico residir em Santana do Ipanema, o crime teria ocorrido em setembro passado, no bairro da Jatiúca, em Maceió, em um apartamento de sua propriedade.

A denúncia do MP sustenta que o médico manteve contato com a vítima afirmando que queria conversar sobre a gestação, no entanto seria para pressioná-la a abortar, o que não foi acatado.

A acusação aponta o denunciado fez com que a vítima bebesse vários copos de água, assumindo depois que havia colocado Rivotril com o intuito de que adormecesse e ele tivesse maior facilidade de introduzir comprimidos de Cytotec em sua vagina para atingir o seu objetivo.

“Quando ele a convidou para o encontro já estava mal intencionado e, após tentar convencê-la ao aborto, sem êxito, decidiu ele mesmo provocar o aborto, dopando a vítima. Além disso, no dia seguinte, foi trabalhar no Sertão e a deixou trancada, sangrando. Ou seja, não somente impediu a criança de nascer, como colocou em risco também a vida da moça. O mais grave, sendo ele um médico, que fez juramento para salvar vidas, teve atitude totalmente contrária, inclusive omitindo o socorro e isso é muito mais grave do que se imagina. E o Ministério Público tinha a obrigação de denunciá-lo”, explica o promotor de Justiça, Rodrigo Soares.

Por precaução, o promotor de Justiça pediu a decretação de medidas protetivas de urgência em favor da vítima com a proibição de contato e de aproximação por pelo menos 300 metros.

“Precisamos salvaguardar a integridade física e psíquica da vítima, impedindo que outras tentativas de violência sejam praticadas pelo denunciado. Inclusive que mantenha contato também por telefone para não desencadear desequilíbrio emocional nela e em seus familiares”, ressalta o promotor.

O Ministério Público pediu que fosse oficiado ao Conselho Regional de Medicina, encaminhando-lhe cópia integral dos autos, para fins de deflagração de apuração da conduta do médico no âmbito do referido Conselho.

Outro lado

Através de mensagens, o site Alagoas na Net entrou em contato com parentes do acusado, a fim de ouvir sua versão sobre a denúncia, entretanto, foi dito que ele não irá se manifestar.

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