Pesquisadores da Ufal alertam para perigo de produtos de limpeza

Por Ascom / Ufal | 12 de maio de 2020 às 8:30

Foto: Setty.com.br

Apontados como solução para o coronavírus, saneantes domissanitários (produtos de limpeza) usados para higienização e desinfecção pessoal ou do ambiente e medicamentos utilizados indevidamente no tratamento da Covid-19 podem apresentar possíveis efeitos tóxicos ao ser humano.

Devido à pandemia da Covid19 e do crescente uso destas substâncias, o Centro de Informações Toxicológicas da Ufal (Citox) iniciou um ciclo de informações no Instagram @citoxufal sobre os principais agentes químicos.

De acordo com a  professora Aline Fidelis, coordenadora do grupo, as mídias sociais são de grande valia no momento para abordar temas como este. “As mídias sociais nos mantém conectados às pessoas, em tempo e espaço não limitados. O @citoxufal tem sido nosso canal de comunicação, fazemos ciclos de informações toxicológicas delimitadas por temas ou grupos de substâncias potencialmente tóxicas” comenta.

Na rede social, são publicados informes sobre o álcool etílico (álcool a 70%), detergentes, água sanitária (hipoclorito de sódio) e outros desinfetantes. Os domissanitários podem ser absorvidos por diferentes vias de exposição e isso pode desencadear intoxicações. Além disso, o uso do álcool de maneira indevida também pode ocasionar queimaduras.

Por esse motivo, o Citox orienta que os produtos saneantes devem ser guardados longe de bebidas, alimentos, medicamentos e cosméticos e as embalagens vazias dos produtos devem ser inutilizadas, pois elas sempre ficam com resíduos. Os produtos saneantes somente devem ser misturados com outro produto qualquer se essa indicação constar no rótulo já que a mistura indevida pode causar reações explosivas ou vapores tóxicos e utensílios domésticos como copos, xícaras ou colheres só podem ser utilizados como medida para produtos saneantes se forem reservados apenas para esse fim ou se forem higienizados de forma correta após o uso.

Segundo a professora Aline Fidelis, o tema escolhido para ser abordado nas publicações semanais ocorre normalmente diante da sazonalidade das intoxicações no decorrer do ano, de acordo com dados do Ministério da Saúde – DataSus ou decorrente de acontecimentos toxicológicos, necessidade da população e até sugestões de seguidores.

Na última terça (5), foi memorado o dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos e o Centro de Informações Toxicológicas iniciou um novo ciclo sobre toxicidade iniciando pelos fármacos que estão sendo estudados para tratamento da Covid-19 como Hidroxicloroquina e cloroquina, Remdesivir, Lopinavir e Ritonavir, Nitazoxanida e Ivermectina.

A utilização de medicamentos deve seguir a orientação de médicos e farmacêuticos já que a automedicação sem prescrição médica ou orientações traz riscos à saúde, pois a ingestão de substâncias de forma inadequada pode causar reações como dependência, intoxicação e até a morte. No Brasil, são registrados dois casos de intoxicação por hora, por uso não racional de medicamentos.

Os interessados no assunto podem acompanhar os novos informes por meio do Instagram do grupo.

O Citox Ufal é um programa de Extensão e não tem as atribuições de um CIT institucionalizado pelo Estado, como fazer atendimento e assistência das pessoas intoxicadas ou realizar notificações de informações epidemiológicas. A ação do grupo é informativa com o intuito da educação em saúde e promoção de popularização da ciência.

Grupo de pesquisa e extensão

O Centro de Informações Toxicológicas da Ufal (Citox), atuante desde 2009 e derivado do Grupo de Pesquisa em Toxicologia (GPTox/CNPq), é um projeto que tem como objetivo divulgar informações toxicológicas para a sociedade a fim de promover a popularização da ciência. O grupo propaga conhecimento acerca de casos de  intoxicação e envenenamento provocados por drogas psicoativas, medicamentos, agrotóxicos, cosméticos, domissanitários, metais tóxicos, plantas tóxicas, animais peçonhentos e quaisquer outras substâncias potencialmente tóxicas para o ser humano.

Coordenado pela professora Aline Fidelis, o grupo envolve estudantes de graduação, em especial da disciplina de Toxicologia do curso de Farmácia e de estudantes do mestrado (PPGCF-Ufal) do Instituto de Ciências Farmacêuticas (ICF), além de docentes da Ufal e parcerias estratégicas com docentes de outras instituições de ensino superior.

Além da publicação de conteúdo nas redes sociais, o Citox proporciona a interação entre a universidade e estudantes da rede pública e privada de educação básica da cidade de Maceió com o projeto “CITox-Ufal nas Escolas” auxiliando a formação crítica e humanística dos estudantes de graduação da Ufal e de todos os atores envolvidos nas ações de extensão.

De acordo com a coordenadora, a atuação nas escolas é importante pois os estudantes agem como multiplicadores do conhecimento. “Os temas discutidos em sala de aula são disseminados para seus pares e demais membros das suas comunidades. Além disso, é possível abrir o debate sobre o conhecimento acadêmico-científico. Nossas ações são dinâmicas e promovem a interação dos estudantes por meio de metodologias ativas” explica.

Nas escolas, o tema mais abordado são as drogas psicoativas. “Esse era sempre o tema escolhido pela escola, direção, coordenação. De acordo com professores, há uma necessidade de trabalhar esse tema e, realmente, nós sempre víamos muito interesse no debate, no sentido da prevenção ao uso de drogas” salienta Aline Fidelis.

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