Carnaval Delmirense: Nosso Patrimônio Imaterial

Por Gerd Baggenstoss | 25 de janeiro de 2015 às 13:01

gerdNão é difícil perceber os diversos reencontros nos fins de janeiro nas imediações do Centro de Delmiro Gouveia. Os ventos de fevereiro empurram uma leva de instrumentos musicais às ruas, vai também uma mesa, algumas bebidas e uma roda de gente. Depois do apito, o mestre puxa “Lá vou eu, lá vou eu, hoje a festa é na avenida…”. O que era uma mesa rodeada de instrumentos e seus acompanhantes, aos poucos vai ser tornando um evento. É o ensaio do tradicional “Bafo da Cana”. Alívio para todos, o carnaval há de vir.

 

Como o município vai se isentar dos festejos, com os primeiros batuques, some o medo de não haver festividades. É inerente ao batuque levantar todos os mestres do povo dos afazeres habituais. Antigos e novos, homens, mulheres e crianças, todos vivos na memória ou nas cadências pulsantes do reencontro presente.

 

O apito não inicia apenas o “Lá vou eu…”, cumpre ao apito uma exaltação a todos aqueles que levaram a frente os standards ao alto, com pouco ou nenhum apoio de quem quer que fosse, em nome do carnaval. Foi e é a razão de nomes como o Zé do Carmo, Luiz Torquatro “Trocate”, Antônio Cardeal, Argemiro Batalha, Zé Mulher, Reginaldo Silva, Rinaldinho, Joelzinho, Zé e Mané de Zulmira, Nozinho Feitosa, Kadu Nóia, João Pacote, Mané Musiquinha, Tadeu Mafra, Armando, Miraldo, Silvano, Januário, Penteado, Lulinha, Élio Silva, Baiano, Guasquiú e Esila Rocha, Baiano, Zé Grande, Orlando Botinha, Titito, Chico Bar, Quincas do Cavaquinho e Jadynho Batera, dentre outros que a memória atinge. Fazer bater os sons e os corpos pelas ruas da cidade.

 

No entanto a música dos mestres acima foi sendo sufocada por outra. O carnaval de rua em Delmiro, e por que não noutras regiões do país, sofreu e sofre com os efeitos nefastos da camarotização. Os tambores dos pequenos blocos foram minados pela batida robótica de um trio elétrico, uma massa de camisas idênticas pisando sob um asfalto que guarda os paralelepípedos dos nossos antepassados. Não existem enredos, senão o que saí a todo vapor do trio elétrico.

 

O carnaval de 2015 tem tudo para ser diferente, e por que não irreverente. O enredo pode não ser doce, falta estrutura financeira para a concretização da festividade. Ainda assim, poderá ser a vez de um carnaval ancestral, com vários enredos, um carnaval onde se possa sentir uma cidade manifestar suas diversas caras nos mais distintos e irreverentes blocos.

 

Os pequenos blocos têm uma missão neste ano: fazer uma cidade voltar a acreditar no seu potencial. Já é hora de pensar um grande desfile com todas as agremiações, orquestras, fanfarras onde as ruas e praças dêem em definitivo ao carnaval o caráter de patrimônio Cultural imaterial dos delmirenses. Afinal, #QuemFazoCarnavalÉoPovo.

 

Jadynho Batera e Zé do Carmo agradecem.

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