‘O Brasil é racista, homofóbico, de feminicídio’, desabafa Ivete ao receber prêmio no Faustão

Por Notícias da TV | 28 de dezembro de 2020 às 13:00

Foto: reprodução TV Globo

Ivete Sangalo recebeu no último domingo (27), no Domingão do Faustão, o Troféu Mário Lago, prêmio concedido por contribuições extraordinárias ao mundo do entretenimento e conexão com o público. A cantora aproveitou a ocasião e fez um discurso crítico, levantando alguns problemas da sociedade brasileira. “O Brasil é um país racista, homofóbico, de feminicídio”, destacou.

Ao falar sobre a importância do apoio dos fãs para a sua carreira e comentar a respeito do comportamento das pessoas na pandemia de Covid-19, Ivete fez uma reflexão e apontou que o país carece de mudanças em vários aspectos.

“Somos conhecidos no mundo pela nossa alegria e simpatia. Reconheço isso, mas acho que é preciso haver um reconhecimento também das nossas falhas como sociedade. O Brasil é o país que mais mata homossexuais no mundo. O Brasil é um país racista, homofóbico, de feminicídio e de ataques às minorias”, discursou a cantora.

“E esse perfil doente, equivocado, é pautado todo na ideia da desigualdade. O poder dessas pessoas parte da desigualdade. Sabendo todos eles, que somos todos iguais em direitos. Cada um de nós tem uma maneira de ser, personalidade e gostos, mas somos todos iguais em direitos”, completou Ivete.

Fausto Silva entrou na conversa e endossou a fala da Ivete. O país não tem segurança, educação. A Ivete tem toda a razão. É também por esse lado cidadã dela que ela está aqui para receber o prêmio”, avaliou o apresentador.

A baiana ainda reforçou sua indignação com os preconceitos presente em boa parte da sociedade brasileira. Ela mostrou sua revolta com a discriminação racial em um país em que negros são as maiores vítimas de homicídios e os homossexuais sao desrespeitados.

“Agradeço o fato de ser reconhecida, famosa. Mas sou uma mãe. Meu filho pode correr na rua sem camisa. Seria, pra mim, terrível, não deixar meu filho andar na rua porque ele seria alvejado por uma bala. Ou um filho meu ser homossexual e não poder ser feliz”, desabafou.

Ivete também expressou sua repulsa com o machismo ao lembrar que os casos de feminicídios aumentaram no país durante a pandemia. No primeiro semestre deste ano, os feminicídios subiram 2% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o 14º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, relatório produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública a partir de dados fornecidos por secretarias estaduais.

“O que eu vou ensinar para minha filha sobre esse mundo machista, que usou o argumento da pandemia para aumentar o número de mulheres assassinadas, dizendo que os homens não tinham entretenimento em casa?”, observou a artista, mãe de duas meninas e um menino.

“Somos felizes, um povo vibrante, cheio de histórias lindas para contar, mas precisamos manter a memória das histórias lindas por meio do reconhecimento das nossas falhas”, encerrou a homenageada do dia no Domingão.

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