Candidatos ao governo alertam para “retomada” do crime de mando em AL

Após o assassinato de Antonio Cezar Carmo, de Piaçabuçu, candidatos prenunciam “retomada” da pistolagem em AL

Por Davi Soares - Cada Minuto | 15 de setembro de 2014 às 14:54

O assassinato do vereador de Piaçabuçu, Antonio Cezar Carmo (PSDB), na quarta-feira (10), foi citado diretamente nas falas de dois candidatos a governador de Alagoas, durante o debate realizado pela TV Alagoas, na última sexta-feira (12). O caso pautou manifestações de repúdio ao crime de mando em Alagoas. E é apenas um sintoma da troca de acusações que a morte do vereador desencadeou entre candidatos da disputa pelo governo.

 

O candidato Benedito de Lira (PP) fez a primeira referência ao homicídio que desencadeou uma investigação sobre uma suposta lista de pessoas marcadas para morrer no Litoral Sul de Alagoas, por motivações políticas.

 

Ao ser perguntado sobre o desafio da redução de homicídios no Estado mais violento do País, Biu defendeu uma maior participação do governo federal no combate à violência, o aumento do efetivo das polícias e investimento em inteligência e em uma “polícia especial” para combater o crime organizado e o tráfico de drogas.

 

“Queremos fazer com que a segurança de Alagoas possa viver momentos de tranquilidade para a sua população. Não é admissível que a gente possa conviver com o que nós estamos vivendo hoje em Alagoas. Recentemente, eu estive em um município vizinho do Baixo São Francisco, e a informação que tivemos foi que, em um mês, foram assassinadas mais de 27 pessoas. E, ontem, foi sepultado um vereador. Crime de mando!”, disparou Biu, sem entrar em detalhes sobre tais informações.

 

Júlio Cezar (PSDB) foi o outro candidato a citar a questão do crime de mando, ao ser questionado pelo jornalista Arnaldo Ferreira sobre a troca de ataques entre candidatos no guia eleitoral. O tucano lembrou os problemas de Alagoas e do que considera ter sido avanços da gestão de Teotonio Vilela Filho (PSDB). E foi além, ao defender que tais forças do crime não podem voltar a atuar em Alagoas.

 

“Segurança, é uma área fundamental. Aqui, os colegas têm debatido isso com preocupação. É também a nossa preocupação. Não tenho compromisso com o erro. Não tenho compromisso com aquilo que não deu certo. O compromisso é manter o que deu certo, ir além e corrigir o que não deu. Defendo a manutenção do Gecoc [o áudio falha no estúdio, neste momento]… Alagoas tem uma cultura do crime de mando. Lamentavelmente, esta semana, um vereador do meu partido foi morto. É preciso combater de frente. Essas forças não podem voltar ao comando de Alagoas. Sob pena de patrocinar outros crimes”, defendeu Júlio Cezar.

 

Renan Filho (PMDB) tratou do tema da segurança pública, ao fazer uma pergunta para o Coronel Goulart (PEN). Segundo o peemedebista, é preciso melhorar a segurança em Alagoas, para garantir o direito de o cidadão ir e vir e de os pais e mães de família viver melhor. E expôs a proposta de criar o programa Alagoas Contra o Crime, para estruturar o aparato de segurança, aumentar o efetivo da Polícia Militar, melhorar a capacidade de elucidação de crimes da Polícia Civil e combater a impunidade e melhorar outros serviços públicos para a população.

 

“Matar, passou a valer a pena, já que o bandido mata e não vai preso. Por isso, temos que aumentar a capacidade de repressão no Estado”, disse Renan Filho, ao tratar do tema.

 

Do discurso à prática

 

Em texto anterior, este blog tratou do problema do crime de mando como um problema presente desde o primeiro mandato do governador Teotonio Vilela, que insiste em afirmar que exterminou o crime de mando em seu governo.

 

O que a sociedade espera é que esta modalidade de crime político realmente não seja ampliada no Estado. E tal risco existe em qualquer que seja o cenário do resultado das urnas, daqui a vinte dias. Porque os líderes da disputa possuem, em sua lista de aliados, nomes bem conhecidos do submundo do crime em Alagoas.

 

Livrar do julgo dos coronéis as instituições policiais, o Judiciário e o Ministério Público é a principal virtude que o próximo governante deve ter, ao assumir o compromisso de comandar a segurança pública, sem proteger seus cabos eleitorais ou ex-aliados com relação histórica com crimes de mando em Alagoas.

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