Sururu é coisa nossa, representando a força cultural de Alagoas

Molusco bivalve pescado nas lagoas vira ‘patrimônio imaterial’ e artistas e intelectuais comemoram no centro de Maceió; professor Edson Bezerra diz quem é ‘sururu fresco’

Por | 13 de dezembro de 2014 às 22:00

sururuEnquanto aguarda a decisão do Conselho Estadual de Cultura (o CEC) sobre a solicitação de registrar o sururu de capote como “patrimônio imaterial de Alagoas”, o professor Edson Bezerra, da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), tece junto à reportagem do Alagoas Boreal conjecturas sobre o universo do apreciado molusco bivalve (entre duas conchas) das lagoas de Maceió.

 

A reunião do conselho, no palácio de governo República dos Palmares, na praça dos Martírios (centro de Maceió), começa às 15h desta quinta-feira (11). A expectativa é positiva e já se organizam atividades culturais e festivas que comemorarão, durante tarde e noite desta quinta, não somente o novo status do delicioso sururu alagoano, mas, também, o lançamento do livro que contém o texto escrito por Bezerra há dez anos – intitulado “Manifesto Sururu” –, com o objetivo de identificar elementos, signos e artistas e intelectuais afiliados a essa formidável cultural local, tímida e oprimida, mas com fôlego para extrapolar os limites da lagoa.

 

 

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O ping-pong com Edson Bezerra:

 

Lembrando a canção da antológica Beira Banda da Lagoa, quem é sururu fresco na cultura alagoana?

 

Edson Bezerra – (Risos) Tem muita gente, Jorge, você é um deles…

 

O repórter não conta.

 

Bezerra – Bem, sururu fresco seria o [documentarista] Celso Brandão, o [cineasta] Pedro da Rocha, o [cantor, morto em 2012] Altair Pereira, [as jornalistas] Liara Nogueira e Alessandra Vieira, o fotógrafo Lula Castelo Branco, o Pai Elias, o [coletivo] Afro-Caeté.

 

E o que o patrimônio imaterial do Estado pode representar para a gente humilde que cata sururu na lagoa? Em termos culturais, tudo bem, mas e em termos econômicos?

 

Bezerra – Isso pode ajudá-los na autoestima. Eles nem sabem o que representam, é a coisa da alienação do trabalho, entende?

 

Bem, o livro não fica apenas no texto de dez anos atrás, certo? Há novos estudos seus e, também, do mestrando Ernani Viana Neto…

 

Bezerra – Tem a apresentação do [historiador] Dirceu Lindoso, outro texto do Luís Cunha e as ilustrações de Levy Paz. O texto do Dirceu se chama “A Propósito do Manifesto Sururu”. Tem, ainda, um poema do José Geraldo Marques, que ele fez quando leu o ensaio do Dirceu.

 

 

Jorge Barboza – Cada Minuto

 

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