Coluna do Magno Francisco: Alagoas: Símbolo de resistência e liberdade

Por | 14 de novembro de 2014 às 2:38

magno-franciscoÉ muito comum se ouvir entre os quatro cantos, e, sem qualquer crítica, a afirmação de que o povo alagoano é submisso a opressão e passivo diantes da injustiças que sofre.  A questão que nos surge diante disto é: Será mesmo que o povo alagoano tem vocação para ser subjugado?

 

Quando recorremos a história de Alagoas identificamos que a realidade é bem distinta. Basta lembrar do Quilombo dos Palmares, localizado na cidade de União dos Palmares, maior símbolo de resistência a escravidão no Brasil. No nosso estado, muito embora o Quilombo dos Palmares fosse o maior e o mais importante, chegando a reunir 10 mil pessoas, tivemos também a organização de outros quilombos em Viçosa e também no sertão alagoano, especialmente na cidade de Agua Branca.

 

No período da Ditadura Militar no Brasil, entre 1964-1985, a resistência em Alagoas também foi uma referência importantíssima. Cidades como Pariconha, Porto de Pedras, abrigavam homens e mulheres perseguidos pelo aparelho repressor da Ditadura, bem como eram locais de treinamento da resistência armada. Manoel Lisboa, Jayme Miranda, Odijas de Carvalho, Gastone Beltrão e Manoel Fiel Filho são apenas alguns nomes de alagoanos que entregaram suas vidas pela causa da liberdade no Brasil e assim são símbolos da luta contra a opressão, verdadeiros heróis nacionais.

 

Também o povo de Alagoas protagonizou o último levante popular do século XX, quando no dia 17 de Junho de 1997, colocou para fora do poder o governador corrupto Divaldo Suruagy. Mesmo com apenas 12 anos de idade na época, recordo-me bem da Praça dos Martírios, localizada na capital Maceió, ocupada por milhares de trabalhadores destemidos, inclusive políciais militares que também sofriam com os desmandos do governo, exigindo a renúncia do governador, enquanto o exército cercava a sede do governo estadual.

 

A tentativa de afirmar a passividade do povo alagoano diante das injustiças não resiste a qualquer exame da nossa história. Impor esta imagem negativa aos alagoanos é um mecanismo ideológico de perpetuar o coronelismo, o nepotismo do poder, os desmandos ainda existentes no Estado.

 

Certamente, se soubermos aprender com a nossa história, com a luta dos nossos antepassados, encontraremos os caminhos para derrotar de maneira definitiva toda a opressão das elites contra o nosso povo. Então, não restará dúvida que a nossa terra é um símbolo de resistência e liberdade.

 

Magno Francisco da Silva

É filósofo e professor da UFAL

 

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