Amadorismo político e crise de governabilidade em Delmiro Gouveia

Por Douglas Dias | 26 de maio de 2019 às 23:52

 

Já nos orienta o velho ditado: “quem com porcos se mistura, farelos come”, não que isso seja a verdade em si, mas cá entre nós, essas palavras se aplicam perfeitamente a cultura política institucional que temos hoje em todos os níveis governamentais; na política municipal por exemplo, o que temos é uma combinação de representantes novos mergulhados em práticas antigas, e um ou outro lobo solitário uivando ladainhas ideológicas tentando cooptar votos dos indecisos para as próximas eleições.

Antes de tudo é preciso dizer que política é uma dimensão estratégica e como já dizia Agostinho Carrara “acima dos nossos princípios estão os nossos interesses”, geralmente essa é a expressão que caracteriza perfeitamente os representantes municipais, assim, quando a gente pensa que já viu de tudo, vem um político e nós convence do contrário.

Dado esse contorno a confusão entre Executivo e Legislativo municipal que vem se desenvolvendo nos últimos dias não é nada mais se não uma guerra declarada de interesses e ingênuo é que pensa que o bem e o mal ficam contidos nas categorias de situação e oposição.

Se por um lado os sinais de amadorismo político da atual gestão brilham como estrelas no céu, por outro o funcionamento da máquina continua do mesmo modo: o legislativo continua tendo um papel secundário na política municipal, se detendo em analisar o que o Executivo manda e por iniciativa própria aprovando leis de menor relevância – como nome de ruas, bairros e congêneres – em Ciência Política chamamos isso de “legislativo reativo”, mas podemos afirmar que é na verdade um legislativo fraco.

Combinados, a fragilidade do prefeito municipal mais a indiferença da Câmara, temos um pré estágio de crise de governabilidade em que nenhum dos players tem poder suficiente para fazer sua vontade predominar. E Delmiro com isso? O município só tem a perder!

1º – Momentos de instabilidade geram perda de grandes oportunidades de captação de recursos, tanto no setor público através de convênios quanto no setor privado mediante investimentos;

2º – A rivalidade entre situação e oposição coloca de escanteio discussões relevantes como, por exemplo, avaliações qualitativas dos servidores públicos municipais, política da terra ou mesmo desigualdade salarial no setor público;

3º – A técnica legislativa empregada na fabricação das leis municipais tende a ficar prejudicada por conta do elemento político, principalmente porque os grupos tendem a práticas predatórias;

Enfim, inúmeros elementos podem ser elencados, mas a máxima continua a mesma: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come! O que nos resta é torcer para que o interesse vencedor dessa quebra de braços não seja o daqueles miseráveis esfomeados por farelo.

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