Padre Eraldo – entre a cruz e a espada

Por Redação | 29 de outubro de 2019 às 6:00

Discurso de posse (1 jan. 2017) Foto: Cortesia

Nos dias atuais, a política na Terra do Pioneiro está entrelaçada a um turbilhão de emoções e sensações. Em meio a todos os jogos de interesse, sentimento de culpa, de calma e tranquilidade…O momento é crítico. E o agente principal desta história é o prefeito Eraldo Joaquim Cordeiro, mais conhecido como padre Eraldo (PSD).

Com uma vida dedicada a tradição e crenças católicas, ele iniciou na jornada cristã muito cedo. Foi lá onde descobriu os mais variados sentidos da religião, que tem como propósito religar o fiel com o criador.

Só que Eraldo quis ir além. Desafiar-se e encontrou na política uma oportunidade para chegar a glória! Lutou incansavelmente pela cadeira de prefeito por vários anos, mas não conseguia êxito. Dividido entre ser padre e ter à prefeitura nas mãos, ele decide disputar mais uma eleição.

E por ironia do destino, o oponente era Givaldo Carimbão, detentor da cidade de Maria, comunidade católica que cuida de pessoas envolvidas com drogas. Se os dois tinham algo em comum, era o conhecimento da palavra cristã.

No decorrer da campanha, o que se viu foi um festival de tretas regadas a muita troca de farpas. Porém, entre eles, o povo escolheu o padre para chamar de prefeito.

Os dias foram se passando e como a Bíblia diz que conhecerás a verdade e a mesma o libertará, o sentimento de pertencimento e mudança dava espaço ao medo e colapso.

O fim de parte da história de Delmiro  Gouveia, ou seja, o fechamento da Fábrica da Pedra foi um dos fatores que desencadearam a gestão do prefeito padre Eraldo.

Nas ruas, pais e mães de família choravam a triste realidade. Daí em diante, o comércio ficou fraco, sem vida e lojas começaram a fechar às portas. E nada de concreto havia se pensado e feito para reverter o deprimente quadro. Iniciava em Delmiro o tempo das vacas magras.

Escolas fechadas, postos sem atendimento adequado e o que parecia ser o tempo da mudança, se desenhava numa história de ruínas e fracasso.

Sem um norte, a gestão de Eraldo deu lugar ao amadorismo e uma sucessão de erros, em 2017, fizeram do céu aprendido pelo gestor na formação de padre, o inferno vivido nos dias atuais.

Após várias denúncias de irregularidades na gestão, padre Eraldo teve que amargar o terrível pedido de prisão preventiva e afastamento da glória em que conquistou – o posto de prefeito. A ação penal foi lavrada por vários procuradores de Alagoas, mas encabeçada por Alfredo Gaspar de Mendonça Neto, do Ministério Público Estadual (MPE/AL).

E com o pedido, o padre viu muitos aliados se afastarem. Há quem diga que Eraldo está esforçado para reverter a situação, mas a coisa é tão crítica que nem mesmo aqueles que marcharam com o gestor acreditam numa reviravolta.

Contra fatos não há argumentos. A cidade está economicamente parada. E o gestor não consegue governar por dois motivos – Transparência e vontade. É nítido que não existe estímulo, muito menos estômago para a atual situação.

Há um mês e três dias do pedido do MPE, cabe, agora, ao Tribunal de Justiça (TJ/AL), que tem Tutmés como presidente de uma das maiores e mais respeitadas instituições do estado, dar o veredito sobre o destino da cidade que dentro da esperança e fé, esperam encontrar na política motivos de orgulho.

O padre está entre a cruz e a espada, porém, ele poderia estar nos braços do povo, que há alguns anos disse sim a ele e receberam dele tudo o que não esperavam.

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